É sempre um capricho toda essa oferta de desamor
- assim de graça, marmota, soslaio – dez
amor
é a pontuação no placar de neon. Sem martírio sei da minha perda,
desse amistoso que vale final. Não culpo a arbitragem inexistente.
À meia-noite meu peito estará cicatrizado e sua cabeça pesando fazendo movimentos pendulares, um sino ao meio-dia, ding dong, os pombos assustados, a falta de abrigo,
mas aqui há espaço apesar da indiferença herdada de mamãe e tantas outras que genética
[alguma deixa passar.
Estou ansiando pelas citações de afeto recorrentes do nosso cotidiano, você sente isso?
O temor da sua obsessiva caça ao que restou e da minha sombra que encobre espetáculos em
[andamento,
nossa ternura com travessura de criança querendo esconder, nos fazer ceder, conceder o seu desejo de outra coisa que não isso. É o amor outra vez – verbalizei acenando um lenço branco.
Ofereço-lhe o perdão por pisotear coração embrulhado em papel de presente e estender um prato cheio de silêncio que como ávido de fome mas quem fala sou eu e com ódio que se torna um cachecol em redor do seu pescoço e não solta até que seu rosto fogueado tenha coloração lívida onde inquilinos são despejados sem tempo de limpar a teia de aranha no teto.
Essa fúria impossível de ser cavalgada que vira remorso assim que sua marcha regride.
Seu desamor, o placar
era dez, amor, no letreiro de neon.
Eu virei o jogo, a mesa, xeque-mate e sou o perdedor.
Testemunha do crime que sou culpado, seu corpo estirado no chão, estático, imitando o último orgasmo; esperei por um breve momento você pedir o cigarro como fazia logo após a trepada e percebi o engasgo com as palavras de nunca mais. Enxoto as moscas e dou fim ao impromptu:
Ofertei-lhe um sorriso final
e por cima um lenço quente de lágrimas.
12.02.2011, sábado, 23h59
rodolpho amaral.
rodolpho amaral.